terça-feira, 16 de agosto de 2011

O consumismo e as brincadeiras


Eu gosto muito dos textos da Rosely Sayão na Folha de S. Paulo. Acho suas colocações quase sempre ideais. Uma pessoa muito esclarecida sob os aspectos da educação. Esta semana ela falou sobre crianças que não sabem brincar, as que ganham tantos presentes, que logo se desinteressam pelo que tem e querem algo novo. Muito comum no meio em que vivo. Paro pra pensar como era na minha época e lembro que eu tinha tão poucos brinquedos perto das minhas filhas, e sim, eu dava muito mais valor ao que tinha. Uma prova disso é que tenho até hoje uma casinha de bonecas que foi meu brinquedo preferido por anos. Tenho ainda as minhas 2 bonecas favoritas (aliás, acho que eram as duas únicas que eu tinha), um Ursinho Carinhoso, um Snoppy (febre da época) e um jogo de palavras cruzadas da minha infância. Todos em ótimo estado de conservação.

Então, é realmente uma pena constatar esse consumismo desenfreado. Não vou me isentar dessa culpa, dizer que eu não estimulo isso, pois eu compro e já comprei uma infinidade de coisinhas pra elas. É difícil, a oferta é muito grande, e o apelo maior ainda. A TV bombardeia as crianças o dia todo com comerciais dos mais variados brinquedos. E elas pedem mesmo. Exigem! Lorena chega a ter manifestações engraçadíssimas, gritando que quer “todos” os brinquedos dos comerciais.

O estrago já foi feito ali no passado, mas hoje eu tento melhorar essa situação. Elas (Bella e Lu) já têm idade suficiente para um papo “mais cabeça” e pra entender as futilidades do consumismo, o péssimo “ter pra ser”. Agora presente é no aniversário, Dia das Crianças e Natal. E sempre frisamos que no nosso caso “o buraco é mais embaixo”. Afinal, são 3! Muito diferente da maioria de filhos únicos que vemos por aí. Esses, coitados, são os que mais sofrem disso, pois além de ganharem ainda mais brinquedos, não têm com quem brincar, o que faz a brincadeira mais desinteressante mesmo. Ou seja, o melhor presente mesmo é um irmão pra poder compartilhar e inventar novas brincadeiras.

Mas apesar das meninas terem muitos brinquedos, considero que elas sabem brincar sim. Montam casinhas com um pouco de tudo que têm, a brincadeira dura horas. Pintam, jogam jogos, baralho, dominó, stop. Nós costuramos muito juntas, fazendo nossos próprios brinquedos em feltro, pesquisamos na Internet novas ideias . Enfim, eu tenho noção dos estragos do consumismo, mas também tenho noção de que a minha presença nas brincadeiras tem muita importância nas brincadeiras.



A Rosely não tocou numa outra questão que considero relevante nessa situação. O fato de muitos pais também não saberem brincar com seus filhos. Gente que passa pouquíssimo tempo com os filhos e não sabem como agir. Brincar, pra mim, é voltar a ser criança. Quando eu falo pras minhas amigas com filhos bebês: “aproveite, pois passa muito rápido”, não é clichê não. É a mais pura verdade. Eu precisei ter 3 filhas pra entender isso. Sei que a Lorena é a que mais aproveitou a mamãe. Ela é quem mais frequentou (e frequenta!) parquinhos comigo, a que mais se sujou na areia, correu para todos os lados. Não à toa que ela é a que mais me deu trabalho com quedas e machucados!.

No fundo eu sofro por antecipação. Acredito que estou vivendo os melhores anos da minha vida, então quero ter as melhores lembranças possíveis. Não me arrepender de ter aproveitado pouco as brincadeiras ao lado delas. Só se é criança uma vez na vida e ser mãe é poder reviver isso tudo de novo...

3 Comentários:

Blogger Bru disse...

Oi Amanda! Eu compartilho das mesmas idéias. Não sei se a escola construtivista contribuiu pra isso ou se é a imaginação da minha filha que corre solta, mas é fato que ela inventa as mais engraçadas e divertidas brincadeiras. Eu fico muito feliz cada vez que vejo que basta um tecido ou uma caixa de papelão pra brincadeira acontecer. Parabéns por participar tão ativamente da vida de suas filhas. Beijos

27 de agosto de 2011 às 14:24  
Blogger Clube das mães e pais Blogueiros disse...

Ola gostaria de convidàla a conhecer o Clube das maes e pais blogueiros (http://maesepaisblogueiros.com), uma Rede que se propoe a potencializar a voz materna na Internet! Aguardamos vc! um abraço!

28 de agosto de 2011 às 08:23  
Blogger Ana Paula disse...

Adorei teu post, Amanda. Eu fico super preocupada com esse consumismo tb. Aqui em casa eh igual. Acabou de comprar uma coisa, dois dias depois ja nao serve mais, quer outro. O negocio eh o "comprar". E essa de nao saber brincar, eu confesso que sou uma dessas. Nao tenho muita paciencia nao, mas tenho me esforcado um pouco. Conto historias pra elas, temos o game night toda sexta, e semana passada ensinei a Laura a pular elastico. :) Aos pouquinhos eu chego la. Bjs!

12 de setembro de 2011 às 22:51  

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