A eterna nostalgia
Lorena está freqüentando a mesma escolinha que as irmãs estudaram. Adoro, acho um lugar muito especial. Ontem, depois que a peguei na aula, rumei com ela até o estacionamento, que é ligeiramente longe. Lorena no colo, claro. Sempre. E me veio o questionamento “quando as maiores estudavam aqui, como eu fazia?”. Aí lembrei que ia com as duas no colo! Sim, na maior parte das vezes. Senti uma saudade danada delas pequeninhas assim como a Lorena. E ficou aquele sentimento de nostalgia, que, aliás, eu sempre relato aqui.
Engraçado que nunca me sinto assim em relação ao tempo da faculdade, da época em que eu saía na balada de 5ª a domingo, das viagens todo final de semana para a praia (ta, dessa parte eu sinto saudades de entrar no mar todo final de semana, confesso), basicamente das coisas que vivi antes delas nascerem. Considero uma fase vivida e encerrada na minha vida. Mas os primeiros anos de uma criança são tão mágicos, marcam tanto. Eu considero que a vida materna tem fases. Primeiro a da descoberta, o conhecer aquela criaturinha gerada na sua barriga, os medos, dúvidas, ansiedades. Não é nada fácil, você lida com um monte de sentimentos novos, fica torcendo pro tempo passar rápido pro seu bebê engatinhar, brincar, falar. Aí chega essa segunda fase e você morre de amores por tudo o que seu bebê faz, se derrete por qualquer carinho, qualquer olhar dele. É a fase paixão, muita paixão. Acho que essa dura até uns 4/5 anos. Aí a criança já está mais ciente do certo/errado e você começa a cobrar mais dela, para que aprenda a comer, a respeitar o outro, obedecer aos pais. Começa a fase do ensinamento, de impor regras para uma boa convivência. Depois vem a fase da cobrança, a que vivo agora com as mais velhas, onde passo o tempo todo em cima delas, chamando a atenção pras descargas não dadas, as roupas no chão, o material escolar, lição de casa. E tem que falar mil vezes pra conseguir alguma coisa. Tem que ter uma paciência de elefante pra viver isso. O que vem mais pra frente ainda não sei, não cheguei lá. Mas muito daquela paixão avassaladora já ficou pra trás. Não que eu ame mais a pequena do que as outras, mas o bebê esta sempre no seu colo, você beija seu pescoço, cheira sua mãozinha, diz o quanto amo.
Minha mãe me chamou atenção outro dia quando falávamos ao telefone, pois Lorena entrou no quarto, falei com ela e minha mãe, do outro lado da linha, disse que sabia que era a Lorena apenas pelo meu tom de voz. Disse que com as outras não falo “doce” daquele jeito. Eu sei, e elas sabem também. Já expliquei que quando elas tinham aquela idade, eu também falava com elas desse jeito. Mas claro que amo também viver essa fase de mãe de meninas grandes, descobrindo de maneira tão bacana o mundo. É tão gratificante ver cada progresso da vida delas. E vai passar tão rápido também. Daqui a pouco elas vão ser aborrecentes e tenho certeza que a nostalgia vai ser dessa época.
Eu, se tivesse muito dinheiro, com certeza teria um bando de filhos. Uns 5, pelo menos. Pra preservar sempre essa primeira fase da vidinha deles e essa fase da paixão louca....sou meio louca, não??

1 Comentários:
Ai, Amanda, eu sou como voce, viu? E so lendo teu post foi que reparei isso, no tom que eu falo com a Laura e o tom que eu falo com a Alice. Se bem que a Alice ta se mostrando uma sapequinha sem fim, ate castigo a gente ta implementando agora! Imagina, 2 anos! Mas da saudade mesmo, ne? O negocio eh curtir mesmo cada fase, porque elas passam, e rapido. Bjs.
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