terça-feira, 9 de agosto de 2011

As primeiras frustrações


As férias terminaram (aleluia!) e Luiza se viu diante da primeira grande frustração da sua vida. Em julho, as meninas “descobriram” o amor pelo ballet. Assistiram inúmeras vezes os DVDs das apresentações anteriores, analisando a dança das maiores, imitando e apreciando a dança. Na noite anterior à volta da rotina diária, Bella e Lu estavam ansiosíssimas para saber quem pegaria a “meia ponta” da turma. Eu até fui pesquisar na internet que raio de sapatilha era essa, e não achei nada. Conversei com a professora e ela explicou que a tal sapatilha não é vendida em lojas, ela pede na fábrica. A diferença da sapatilha normal é que essa tem uma parte mais dura nas laterais, para preparar o pé das meninas para a tão aguardada “ponta”. No fim da aula, quando fui buscá-las, de longe já percebi o que estava acontecendo. Minha Luiza estava com uma cara arrasada conversando num canto com a professora. Bella pegou a tal sapatilha e Lulu não. A professora meio que dividiu a turma, as maiores, todas com 8 anos, vão começar a usar a sapatilha, mas os exercícios, tudo, é igual.

Luiza chegou em casa e se trancou no banheiro, chorando de soluçar. Fui lá, subi com ela, preparei um banho bem quentinho de banheira e entramos nós duas para conversar. Contei as minhas frustrações em relação a meu irmão mais velho, relembrando coisas que ele podia fazer e eu não, falando desse sentimento. Falei que ela tinha que lembrar que no começo do ano, ameaçou largar a turma, indo às aulas com uma má vontade que só vendo. E que agora é a hora dela demonstrar para a professora que ela também merece, pedir para ela prestar mais atenção a seus exercícios. Falei, falei um monte.

Pra que?? Se o pai, o “Papai Maravilha”, resolve tudo no grito e com a carteira. Ele ficou mais “P” da vida do que ela, falou um monte da professora e prometeu que compraria a tal sapatilha. Depois disso, quem disse que ela escuta algo do que eu falo?? Expliquei para o pai que a tal sapatilha não é vendida das lojas e que a professora que vai dar, sem cobrar das mães. E que ele aceite isso também, pois as outras meninas, algumas mais velhas do que ela, também não vão ganhar a sapatilha.
Olha, uma coisa pequena virou gigante aqui. Pedi ao pai que, mesmo sem concordar, me apoie. Que isso sirva de lição para a pequena entender que a vida é assim mesmo. Que temos que nos esforçar para conseguir as coisas e não depender de alguém que resolva por nós.

Eu conversei com a professora, contei tudo o que tinha acontecido. Ela ficou chateada também, disse que não pretendia causar essa celeuma toda. Por enquanto a situação está controlada, mas na semana que vem, quando chegarem as sapatilhas, sei que tudo vai recomeçar....Ó vida, ó céus...Mas o mais importante é o pai entender que ele não pode, nem deve, tentar interferir....

2 Comentários:

Anonymous Vo Betty disse...

Concordo em genero, numero e grau. Beijos a todas e ao Papai.

10 de agosto de 2011 às 15:10  
Anonymous Anônimo disse...

É pq vc não viu a Carolina com o sapato da aula de sapateado - umas com salto e outras não como ela. Não achei o "bendita" sapato com o salto ... Agora ela já acostumou mas, quando o pé crescer, vai querer o "saltinho"! Bjs cariocas para vcs todos! Pri

11 de agosto de 2011 às 15:24  

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