A hora certa de ter filho
Dia desses estava conversando com uma amiga e ela pediu minha opinião sobre o a hora certa de ter filhos. Ela viveu vários anos na Europa, voltou no começo de 2010 e tinha se programado para engravidar um ano após sua volta ao Brasil. E como o tempo voa, esse um ano já passou e agora ela está pensando na questão mais seriamente. A irmã dela, também muito amiga minha, teve sua primeira filha no final do ano passado e fez com que ela vivenciasse mais as dificuldades iniciais de se ter um bebê. Por isso as dúvidas.
Eu disse que não seria a pessoa mais indicada para falar sobre isso, pois não sou neutra no assunto e logicamente a incentivaria a ter filhos. Ela falou da perda da liberdade, do fato de ter feito trabalhos bacanas e ter aberto portas para outros novos, do medo de um futuro sem um trabalho bacana, de como gosta de poder ser livre para escolher quando e pra onde viajar, poder passar horas descompromissadas e divertidas com as amigas.
É isso mesmo, a vida sem filhos é mais tranqüila, mais livre, mais...Aí eu paro nesse “mais” e não acho algo a acrescentar. Sabe porque? Porque na minha cabeça a vida só começa de verdade quando temos nosso primeiro filho. Eu tenho essa visão, fui criada com a ideia de casar, ter filhos, montar uma família, a minha. Afinal, foi assim que fui criada, numa família de verdade. Aqueles que não têm filhos que não me levem a mal. Mas é assim que vejo as coisas, o ciclo natural da vida, o amadurecimento. E pra mim, quem não tem filho nunca amadurece de verdade, fica levando uma vida “jovem” por muitos anos, até perceber que o tempo passou, que “curtiu” por muito tempo e que ter filho mais velho não é tão fácil quanto ter filho “na flor da idade”. Eu fui “jovem” na época que era pra ser jovem, com 20 e poucos anos, viajei bastante, curti altas baladas, tenho ótimas memórias desse período. Mas “cresci”, amadureci e virei mãe aos 27 anos. E minha vida mudou muito. Eu deixei de ser “filha” para virar “mãe” e assumir um papel muito mais importante. Só quando isso acontece na sua vida é que se tem uma dimensão real das coisas. Mas claro que ninguém é obrigado a ter esse sentimento de querer ter filho. Engravidar porque está todo mundo engravidando. Filho tem que ser muito bem pensado, programado e não de "embalo".
Pelo lado positivo, digo que ter um filho é uma oportunidade para viver relações de parentesco, revivendo e transformando as experiências do passado e melhorando as relações atuais com nossos pais. Quando ensinamos algo a um filho, aprendemos juntos também. Aprendemos a ser mais tolerantes, humanos, menos egoístas, mais altruístas. A vida se torna muito maior, muito mais complexa. Sério, não existe emoção maior do que assistir as conquistas dos filhos, engatinhar, andar, falar, aprender a ler, a andar de bicicleta e tudo o que tem pela frente ainda. É realmente uma ampliação do repertório emocional de cada um.
Eu poderia me estender muito mais sobre as coisas boas da maternidade, mas acho que já mostrei meu ponto de vista. Pra finalizar, disse para essa minha amiga que se pensar demais também acaba não tendo filho e que os 9 meses da gravidez são tempo suficiente para se preparar para o que vem pela frente. Vai perder a liberdade? Vai sim, mas isso é por algum tempo e durante esse período, vai viver um turbilhão de sensações. E assim como esse um ano da volta dela já passou voando, a primeira infância do bebê também passa voando. Medos? Claro que temos, e depois dos filhos temos mais medo ainda, de tudo! O importante é sempre ter um objetivo e ir atrás dele no futuro. Acreditar e viver o que é pra ser vivido!

2 Comentários:
o que eu posso comentar? emoção né, emoção totallllll ao le-looo.
frase ótima:" Vai perder a liberdade? Vai sim, mas isso é por algum tempo e durante esse período, vai viver um turbilhão de sensações".
turbilhão de emoções... imagina pra mim que ja me sinto turbilhão, hahahahha.
bom saber de vc sempre por perto mandoca del mio cuore... obrigada por ser tão querida, tão fiel, tão ouvinte, tão presente, tão... amiga :)
Adorei suas considerações. É isso mesmo, sempre há dúvidas se devemos ou não ter filhos, mas a vida não faz sentido sem eles. E posso garantir, por experiencia própria que o bom é não te-los muito cedo e nem tão tarde, afinal precisamos de muito pique para enfrentar os desafios da maternidade. Beijo para a família linda.
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