terça-feira, 5 de outubro de 2010

Os espinhos da maternidade

“Tuca, Tuca, por que você tem esse gênio tão difícil??”. Esses são meus pensamentos na maior parte do dia. Já escrevi que ela é uma menina de fases, mas vou dizer que essa fase que ela está passando está durando demais. Um chilique atrás do outro, gritos, berros, choros, raivas. Nossa, os sentimentos são muitos. Os meus então, milhares. Aí me questiono de onde vem essa raiva, se a culpa é minha (me martirizo com isso), se isso acontece porque ela tem que dividir atenções com as irmãs, se o problema é na escola. Como boa canceriana que sou, busco todas as culpas para mim: “Ela é assim porque quando era menor e agia assim, eu não fazia nada”. E fico esgotada. Há algum tempo prometi a mim mesma que não bateria mais nela (confesso que já usei desse artifício algumas vezes) e que me controlaria para não gritar. Mas é difícil. Bater sei que não resolve, mas quando vejo já estou gritando alto exigindo que ela pare o comportamento malcriado.

Sei que crianças são difíceis, bagunceiras, respondonas, etc, etc. Tenho experiência suficiente para fugir dos manuais e me basear em experiências próprias. Mas o comportamento da Luiza vai além disso. Ela sente raiva, fica literalmente descontrolada. Dia desses deu um chilique homérico por causa da comida e falei que ela iria ficar de castigo. Desafiou-me, correu pela casa e foi para o quarto arrastada, se segurando no que via. Quando fechei a porta, o chilique aumentou. Resolvi olhar pelo buraco da fechadura e flagrei a pequena querendo destruir um móbile de bailarinas, xodó meu. Acredito que ela fez isso justamente porque sabia que eu ficaria muito chateada com aquilo. Eu tento, converso com ela o tempo todo, explico que é ela quem escolhe como será tratada: se tratar os outros bem, também será bem tratada. Falo, falo, falo e nada muda.

Conversei com a professora dela, que ficou super surpresa quando eu contei o que acontece por aqui. Disse que a Lu é um amor, entrosada com todos, meiga, calma. A minha Lu??? Como assim?? Ou seja, o problema deve ser aqui em casa. Em uma de nossas conversas, questionei o que/quem faz ela sentir essa raiva (ela chega a verbalizar “Aiii, que raiiiivaaaa”). Ela, rapidamente, respondeu: “A Isabella”. E completou dizendo que a irmã falava que era melhor do que ela, que sabia ler e ela ainda não sabia direito e mais um monte de reclamações a respeito. Eu disse que sabia o que era isso, pois também sou a segunda filha e meu irmão sempre sabia mais do que, era mais reconhecido do que eu, etc, etc. Sei o que é esse sentimento. Não é fácil e Isabella também não colabora. Mas nada justifica os chiliques. Tem dias que eu sento no chão chorando e não consigo levantar. Uma cena que não gostaria que as meninas vissem. Ou seja, estou emocionalmente abalada também. Então, resolvi procurar ajuda. Luiza começou a ir a uma psicóloga semana passada. Primeiro fui eu e depois ela. Eu estou precisando de orientação, aprender a lidar com isso, poder ajuda-la mais. Ainda é cedo para falar, ela foi só 1 vez até agora. Mas espero que dê resultados. Expliquei que a psicóloga é uma pessoa que estuda o comportamento das pessoas e as ajuda a se relacionarem melhor com as pessoas. Ela foi meio reticente, dizendo que iria apenas aquela vez, mas saiu de lá toda feliz, pedindo para voltar no dia seguinte. Vamos ver daqui a um mês...

Eu prefiro logo ver isso do que ficar sofrendo no futuro pensando no que poderia ter feito...melhor pecar pelo excesso do que pela falta.

5 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Sabe Amanda, voce esta fazendo a coisa certa.... Eu acho que meninas sao bem mais complexas. Na nossa familia temos 7 meninos e apenas 1 menina e ela eh a que causa mais barulho! Nas nossas ferias ela tbem deu um chilique homerico que ate me assustou. As coisas atingem nos mulheres mais profundamente, a nossa mente nao para. Uma terceira pessoa de fora como a psicologa com certeza vai te ajudar. Bjos xx PatriciaUk

5 de outubro de 2010 às 16:01  
Anonymous Anônimo disse...

Também acho que vc está no caminho certo, procurando ajuda o quanto antes..É difícil mesmo manter o equilíbrio emocional qdo estamos cansadas com tantas tarefas da rotina, cuidar, dar banho, ver uniforme, tarefas, refeições e etc, e ainda lidar com manhas e birras? Difícil não perder a paciência..Falando assim parece q filhos são só problemas, mas lógico q são a melhor coisa de nossas vidas, nossa razão maior e motivo de alegria diária, mas ser mãe de verdade, do tipo q coloca a mão na massa, não é mole mesmo, isso não é não...
Concordo com o comentário da Patrícia, também já percebi, observando as muitas crianças da família, como as meninas são mais difíceis. Em geral os meninos são bem mais desencanados, relax mesmo, e as meninas, por mais que sejam fofas, carismáticas e queridas, conseguem ser bem mais birrentas, enjoadinhas, fresquinhas e dramáticas (de uma forma geral) do que os meninos...(coitadas das meninas, parece q estou detonando o sexo feminino, mas é assim mesmo, somos mais sensíveis e chatinhas q os homens, com muitas coisas, até na vida adulta)
Boa sorte para vc e as princesas, q tudo melhore logo.
Daniela

10 de outubro de 2010 às 13:15  
Anonymous Anita e filhos disse...

Oi Amanda ,menina que sufoco hein! é melhor procurar ajuda sim ,é muito bom e ajuda .Aqui meu mais velho tem 13 ,um adolescente e a Emy tem 6 ,é o dia todo os dois brigando ,não era assim ,mais ele em tudo que mostrar para ela que é melhor ,ai começa .Eu fico assim que nem vc ,não bato mais os gritos sai.A emy é tbem super geniosa ,pede para ele brincar depois já ta gritando para!Mexe nas coisas dele ,mais não quer que ele mexa nas delas ,agora pocuco os dois acabaram d edestruir minha maquina de foto ,mandei subir ,porque senão ia apanhar os dois .Tem hora que agente quer arracar a cabeça fora .Não sei se são os meus mais aqui o menino tbem é birrento ,as vezes ele usa a mesma jaqueta 1 mes sem lavar e vigia para eu não lavar ,se lavo ele faz drama ,não sei não acho que ambos o sexos aqui tem tpm .
Mais é isso vc ta certa a psicóloga vai ajudar,mais não se culpe isso é coisa de cada ser humano e personalidade.
Bjusss feliz dia das crianças para vcs

11 de outubro de 2010 às 18:47  
Anonymous Anônimo disse...

Oi Amanda!

Li seu blog já algumas vezes, nunca comentei, mas agora talvez eu ajude.
Eu mesma tinha o comportamento que a Luiza tem. Tinha acessos de raiva homéricos, gritava, chorava, queria quebrar tudo. E durou um bom tempo. Mas o engraçado é que, assim como a Luiza, não era em todo lugar. Na escola, por exemplo, eu era aluna modelo. Sempre fui a melhor, a mais entrosada com todo mundo. Na minha casa eu já não era assim tão calma, mas tudo certo, mas a situação piorava quando ficávamos minha irmã, minha prima e eu. Minha irmã era 5 anos mais velha, minha prima 5 anos mais nova. Eu era a do meio. Nunca podia fazer o que minha irmã fazia porque era muito criança, e nem o que minha prima fazia porque era muito grande. Ficava nessa de nem receber os méritos por ser mocinha e nem os mimos por ser bebê. Acabava ficando na sombra da minha irmã, sem ter minha indepêndencia. Hoje consigo ver isso, mas na época eu só sentia raiva porque a atenção não vinha para mim. E não é, e nunca foi, falta de amor. Mas é "a primeira alguma coisa da família" por causa da mais velha, "a fofura" por causa do bebê, e para mim, não ficava aquela atenção.A atenção vinha quando eu brigava. Ouvi milhares de vezes que, quando nasci, minha irmã recebeu atenção extra para não ter ciúmes, mas quando nasceu a minha prima, nada disso aconteceu, porque me julgaram como a minha irmã.
Não sei se é o mesmo caso da Luiza, se ela, ainda com as provocações da Isabella, não se sente tão boa como a irmã e nem tão bebê como a Lorena, ou se é outra coisa. Eu tive os ataques um pouco mais tarde, com uns 10 anos, mas também a diferença na minha família é maior. Se for isso, um tempo a sós com ela, e a diferenciação entre elas deve resolver. De novo, não sei se o caso da Luiza é o mesmo, talvez seja outra coisa completamente diferente, e eu aqui falando coisas que nem tem nada a ver. Mas se for, espero ter ajudado. E fique tranquila, que são apenas fases e você está fazendo muito bem em procurar ajuda.

13 de outubro de 2010 às 10:37  
Anonymous Ana Reis disse...

Puxa... aqui em casa o Arthur é meio assim, tem horas que me dá até medo tamanha a raiva que ele expressa quando é contrariado pelo irmão (que tb não colabora nem um pouco) ou por mim ou pelo pai. Na escola é um anjo de candura.
Realmente é de perder o chão, ficamos sem saber como agir. Torço para que dê resultado a medida que você tomou !
Beijos !!

20 de outubro de 2010 às 08:48  

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