Bullying
Semana passada Lulu voltou da escola com um olho inchado. Contou que levou um chute no olho de um coleguinha durante a aula. Perguntei o contexto da história, se estavam brincando juntos, se havia sido sem querer ou coisa similar. Ela me relata que estava jogando um jogo com outras crianças e quando olhou para cima levou um chute deste menino, que nem estava na brincadeira. Perguntei o que ela fez depois e ela respondeu “eu chorei”. Ai, que raiva que eu fiquei na hora. Perguntei o que a professora fez e ela contou que repreendeu o menino e o colocou de castigo. Mas mesmo sabendo disso, no dia seguinte fui a primeira a subir para a classe na hora da saída, esperando ter alguns minutos para falar a sós com a professora. Ela disse que imaginava com eu estava me sentindo, afinal é mãe também, mas disse que está em cima do menino. Nesse dia procurei a peste na sala e dei um olhar fuzilante para ele.
O problema é que o infeliz do moleque não parou com a perseguição. Ela voltou nos dias seguintes ao episódio reclamando de uma série de coisas que ele faz com ela. Ele fica falando do “popozão” dela em alto som, usa um cinto por cima do uniforme e fica ameaçando bater nas crianças. Ela diz que ele não para de falar um minuto e atrapalha a aula. Enfim, um monte de pentelhações. Novamente fui lá falar com a professora e perguntei se o lance era com a Luiza ou se ele fazia com todas as outras crianças. O foco é sim a Luiza. Parece que antes ele gostava muito dela, queria ficar perto o tempo todo, mas mudou, agora tem sido agressivo com ela. A professora falou, meio sem jeito, que o menino está passando por problemas em casa e que os pais sabem da situação e morrem de vergonha. Mas que culpa tem minha filha disso para ficar agüentando ser o saco de pancadas do menino??
Contei para minha mãe e ela me fez perceber que a Lulu está sendo vítima de “bullying”. Tanto se fala nisso hoje, mas nunca dei muita bola, achava mais que isso era coisa de americano, daqueles filmes onde sempre tem um moleque que sofre maus tratos dos brutalhões.
Não posso deixar isso continuar. Eu não quero ficar super valorizando o caso, ficar perguntando do menino, mas todo dia ela fala alguma que ele aprontou. E, depois do meu olhar fuzilante, ele resolveu me desafiar. Agora quando vou buscá-la, ele fica falando dela e olhando pra mim. Fico passada com a cena.
Ontem entrei com ela e fui marcar uma reunião com a coordenadora geral. Uma pessoa ótima, super receptiva. É um direito meu exigir que se faça algo contra isso. Se o menino está atrapalhando, que mudem ele de sala. Se continuar a agredir outras crianças, que o convidem “a se retirar” da escola. Vamos conversar, eu, ela a professora e talvez a mãe do menino nesta quinta-feira. Vamos ver o que vai dar.
Eu procuro sempre escutar os dois lados da história antes de falar algo. Recentemente fui a uma festinha infantil e no meio dela encontro Bellinha chorando que tinha levado um chute de um menino. Fui atrás dele, numa boa, e pedi que ele me contasse porque a havia chutado. Ele me responde que ela tinha chutado ele primeiro, empurrado, batido com o casaco, etc, etc. De repente ela parou de chorar e ficou se esquivando de mim, para não explicar o ocorrido. Picareta, depois foi repreendida também.
Sempre converso com elas sobre essas situações, as conseqüências de se bater nos outros, que violência só gera violência. E procuro mostrar que tem que agir com consciência. Se estiverem na escola, que falem com a professora quando acontecer algo assim, pois ela melhor que ninguém saberá resolver. E se eu estiver por perto, que falem comigo.
Uma coisa que aprendi com esses anos de maternidade em minha vida é que não devemos chamar a atenção dos filhos dos outros diretamente. Uma coisa feia de se dizer, mas verdade é que “filho é igual a pum, só agüenta quem faz”. Se há algum problema, devo falar diretamente com os pais da criança. Eles que devem passar uma bronca nos próprios filhos. Dia desses, minha cunhada se exaltou e deu uns gritos com a Luiza por algo que não havia sido culpa dela (Lulu estava brincando com o filho dela, ele tropeçou sozinho, caiu e abriu o berreiro). Na mesma hora a defendi, dizendo no mesmo tom que a culpa não havia sido dela e que acidentes com bebês acontecem a toda hora. Ficou aquele clima ruim entre nós duas, mas quem é ela pra vir gritar com minha filha? Que falasse comigo ou com o Marcello, irmão dela, e nós passaríamos o recado a ela. Minha cunhada ainda é muito mãe “fresca” e tem muito que aprender ainda. Mas a vida ensina, tenho fé. Queria ver se falassem assim com o “príncipe” dela...

3 Comentários:
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Mã... infelizmente esses episódios de bullying são um sinal da sociedade doente que estamos criando. A Júlia passou por um episódio de cyberbullying tbm na escola e sentei com a coordenação do Objetivo, liguei para as duas mães envolvidas e deixei um recado na página de orkut da Jú em alto e bom tom para os engraçadinhos que pudessem usar de novo o nome dela em vão. Bom, pra resumir estamos todos inseridos nesse contexto de Ensino padronizado e sistematizado para as crianças passarem no vestibular. Quando indago alguma mãe de amiguinha se não acham o ensino muito corrido, muito impessoal e mental para a idade delas, ouço em coro que a sociedade, o mercado, exigem que elas se preparem assim para o futuro. Que sociedade? Que mercado? Toda essa competitividade não me interessa mais...sinceramente, eu creio na educação integral do ser humano, no respeito às fases de desenvolvimento da criança e na sensibilidade de educadores conscientes dos temperamentos e individualidades de cada um. Não quero simplesmente formar minha filha para passar no vestibular... Sabe que estou em formação em Pedagogia Waldorf, né? Tudo começou no Jardim de Infância Waldorf que a Jú cursou no Guarujá. Toda a ludicidade e fantasia que saudavelmente ela ainda carrega aos 11 anos devo muito ao primeiro setênio de qualidade do jardim. Agora, mais do que nunca não deixo que tratem-na como um número e uma mensalidade à mais para a soma dos lucros dessas entidades. Penso seriamente em duas possibilidade de emprego, uma em Santos e uma em Botucatu, onde há escolas Waldorf para ela terminar os estudos até o segundo grau. Aí em São Paulo vc tem duas opções: a Rudolf Steiner e a Micael, ambas ótimas escolas. Em casa, procuro pintar com ela, ler contos, desenhar, tocar piano, todas atividades de expansão que a criança metaboliza e digere com naturalidade. Pensa com carinho. Nada mais precioso do que cuidar tbm da alma desses nossos pequenos anjos! Com amor da tia Jana ;)
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