As cenas do capítulo seguinte
Pois bem, ontem lá fui eu para a reunião marcada com a coordenadora/professora/mãe do menino. A mãe dele não foi, o que no fundo acho que foi melhor, pois fiquei mais a vontade para falar o que queria. Fui superbem recebida, com um diálogo muito aberto. Falei que queria saber mais sobre o menino e o porque dele ainda a estar atormentando. Como eu imaginava, o menino é adotado e, segundo a coordenadora, já sofreu todos os tipos de rejeição na vida. Ela disse que o colégio tem uma postura de acolher crianças com problemas, que foram rejeitadas por outras escolas, e trabalhar para inseri-las na sociedade. Eu indaguei o porque dele estar na sala da Lu, sendo que ele já tem 7 anos e muitas crianças da sala nem fizeram 6 ainda. Questionei se com crianças da idade dele não seria mais fácil, ou melhor, mais difícil ele manter essa postura agressiva que ele tem em relação aos menores. Ela me explicou que isso foi uma das condições impostas para ele entrar na escola, que fizesse a 1ª série novamente, pois não tinha maturidade suficiente para adentrar no Ensino Fundamental. Mas me tranqüilizou dizendo que a mesma atenção dada a ele, está sendo dada a Lulu, para que ela não se sinta amedrontada. Disse ainda que a Rosely Sayão, que admiro profundamente, está acompanhando o caso, dando estratégias para se lidar com esse comportamento. No fundo eu tenho é pena da professora deles, que tem que lidar com isso diariamente. Uma nova professora foi colocada de reforço na sala deles, justamente com a finalidade de observar o comportamento do menino. Mas me senti aliviada com essa reunião. Aliviada em saber que estão prestando bastante atenção ao caso e não minimizando como poderia acontecer.
O mais engraçado foi ouvir sobre a Lulu da boca da professora. “Um doce”, “gentil”, “extremamente educada”, “meiga”, “prestativa”, foram alguns dos elogios que ela recebeu. Ela disse que a Lu é a preferida dos meninos, pois brinca com eles sem reclamar, como fazem as outras meninas. Disse que estão fazendo um trabalho de escrever cartas aos colegas e que quase só escrevem para a Lulu. Quem diria, hein? Aqui em casa esse gênio dificílimo e lá um doce de criança. Ainda bem.
E hoje, pude vê-la em contato com seus amigos, participando de uma oficina de artesanato na escola. Ali decidi usar outra estratégia com o menino. Ao invés de dar meu olhar de desaprovação, resolvi usar da simpatia. Eu e Lulu sentamos junto com o pai dele para trabalharmos nas garrafinhas com areia colorida. Perguntei qual a cor preferida dele, elogiei sua garrafa, sugeri cores a ele e pedi para ele ajudar a Lu passando as outras cores a ela. No final ainda tiramos fotos juntos todos. Percebi que o pai dele também ficou feliz com a aproximação, falando muito da Luiza.
Coitado, não posso querer mal o moleque por conta do chute dele. Aconteceu, foi super errado, mas ele é criança de tudo, não tem noção de seus atos ainda. Não sei qual o contexto da adoção dele, se foi tardia ou não (e não cabe a mim ficar questionando isso). Mas, aparentemente, os pais deles são muito amorosos e presentes. Então o jeito é torcer para que ele perceba seus atos e mude de comportamento. Claro que estou super de olho, mas agora menos angustiada. E espero que ela tendo percebido isso, a atenção que tanto eu, quanto a escola, demos ao caso, se sinta fortalecida e aprenda a lidar com esse tipo de atitude, que deve encontrar de novo ao longo de sua vida.

3 Comentários:
Amanda,
fico bastante aliviada também e muito satisfeita com a sua postura amadurecida! É importante sempre contextualizarmos a situação para que possamos compreendê-la e encará-la com sobriedade. Beijos, Pri.
Parabéns pela sua postura diante de uma situação tão delicada e difícil para as mães. Eu acho que teria uma atitude parecida com a sua, mas a maioria das mães que conheço, cairiam de pau no garoto e na escola. Sempre procuro ver o outro lado, sem, é claro, deixar de amparar meus filhos. Parabéns, tbém, pela filhota, que parece ser uma menininha muito bacana. ah, por último, parabéns pelo blog, gostei e recomendo. bj
hahahahhaha
essa novelo acompanhei de vicino (perto)
love lulu
lovely molequinha
te amo! tia mari
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