terça-feira, 16 de março de 2010

Um soco no estômago


Ontem papai e eu assistimos ao filme "Preciosa - uma história de esperança", vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e de Melhor Atriz Coadjuvante. Eu já sabia a temática do filme, mas confesso que fiquei mal por ter assistido tudo aquilo. Não vou dizer que é um longa ruim, pois isso realmente não é, mas é difícil de engolir. O filme é pesado, tenso e até aflitivo em muitos momentos. Uma história de desamparo total. O enredo se passa no Harlem, em Nova York, conhecido por sua segregação racial e os altos índices de violência. Ali, a adolescente Claireece "Precious" Jones, de 16 anos, sofre as mais diversas privações e as mais perversas humilhações. Abusada pela mãe, violentada pelo pai e grávida do segundo filho, ela acaba rejeitada pela escola tradicional, mas consegue vaga em uma escola alternativa que garante sua proteção e lhe ensina a ler, a escrever e a viver. Apesar de parecer que ali existe um vestígio de esperança, a coitada da protagonista ainda se descobre portadora do vírus da AIDS.

Gozado como a gente encara certas coisas. Poucos dias antes assistimos ao “Guerra ao Terror” e eu consegui dormir no meio das cenas em que o soldado (sei lá qual patente a dele) desarma as bombas. Tentei ver no outro dia e dormi de novo! Com o “Precious” aconteceu o contrário. Não consegui dormir depois, aliás, nem sei quanto tempo eu dormi noite passada, torturada com as cenas do filme. A violência verbal e física da mãe da Precious é de embrulhar o estômago e me fez refletir sobre a situação das famílias socialmente desprotegidas, que atravessam suas vidas mergulhadas nesse tipo de brutalidade. Como pessoa, fiquei profundamente tocada pela professora da garota, praticamente a única que lhe estende a mão durante todo o filme.

E como mãe, me arrependi de uma série de vezes que agi errado com as meninas, descontando nelas alguma frustração do dia. Tão pouco perto da violência do filme, mas também desnecessário da minha parte. Eu sei que é difícil agir corretamente o tempo todo, mas tenho que me esforçar mais. As mães que trabalham fora e delegam o dia-a-dia dos filhos a uma babá, escola ou avó, se culpam por isso. Já eu, que cuido 100% das coisas das meninas, perco a paciência fácil, brigo e me culpo, e muito, por isso.

Eu paro pra pensar e vejo o quanto elas são puras de sentimentos negativos e quero preservar isso nelas. Raiva, rancor e frustrações não existem ainda no vocabulário delas. Me policio para não falar mal de ninguém na frente delas, de reclamar de besteiras, ou fazer um auê por uma banalidade. Mas, apesar de me policiar, dou umas escorregadas de vez em quando. Eu sei que estou melhorando, mas 3 em cima de você o tempo todo, se pegando, acaba esgotando a paciência de qualquer um. Mas eu sou o principal exemplo delas, tenho que ser do bem. Pelo menos a consciência disso eu já tenho...

Obs: eu assisti aos filmes em DVD, baixados da Internet, no formato AVI, qualidade igual a de um DVD normal. Tenho um aparelho de DVD que reproduz esse formtato. Coisas de meu pai, que é moderador de um fórum de cinema na web. Sou contra a pirataria de camelô, pela ligação com o crime. Fora que a qualidade é horrível, muitas vezes copiado da própria tela do cinema. Pra mim a Internet é território livre e tenho mais que aproveitar pra me atualizar do cinema.

4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Oi, adoro seu blog e adorei esse último post. Sua crítica foi muito boa. Eu adoro cinema e sou bem crítica também, antigamente eu olhava qualquer gênero de filmes, mas agora só olho coisas boas, acho que as imagens pesadas me fazem mal, prefiro olhar coisas bonitas que me façam rir e me entreter. Bjus!

16 de março de 2010 às 17:03  
Anonymous viviane disse...

Eu fiquei com vontade de ver este filme, pois é sempre bom a gente reavaliar nossa postura, sei tb que erro muito, chego em casa muitas vezes sem a paciência necessária, semo pique necessário e me sinto muito mal por as vezes querer que vão logo para o banho, jantem calmamente, faça os deveres numa boa (as vezes até sugiro qe ela vá fazendo sozinha..) enfim...é sempre rever nossos conceitos e receber uns toques de como podemos melhorar...

17 de março de 2010 às 05:40  
Anonymous Mirian Cardoso disse...

Adorei sua abordagem! Também me faz pensar ao cuidar 100% de meus filhotes. Aproveitando a forma como assistiu este filme, queria muito sua ajuda de como posso fazer para colocar legendas em um filme de 11 minutos de um projeto para crianças daqui da Costa Rica (originalmente do Brasil com o nome de Fazendo minha História)Se puder me ajudar agradeceria muito! Obrigada, Mirian

17 de março de 2010 às 21:45  
Anonymous Anônimo disse...

Oi Mirian, tudo bem? Olha, me deixa seu email aqui pra gente poder se falar. beijos, Amanda

19 de março de 2010 às 09:36  

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